EDITORIAL: REFLETIR, AGIR E CONTRIBUIR
A criação desta Newsletter abre um canal de comunicação do IPP com os membros da “família” de que se rodeou. É seu propósito estimular a comunicação e o intercâmbio, a fim de se potenciarem os conhecimentos obtidos e os novos valores vivenciados e apropriados durante as formações.
À formação ministrada e às ferramentas de análise proporcionadas pelos cursos e pelas conferências organizadas pelo Instituto têm estado associados os propósitos de desenvolver e criar novas capacidades de liderança, uma visão do futuro, para além do dia-a-dia e do desígnio individual, e a adesão ao compromisso com o prosseguimento da obra colectiva de edificação de um porvir, ainda por realizar, é certo, de progresso económico, social e intelectual de Cabo Verde. Indispensável é despertar e estimular a apetência por mais conhecimento, a ambição de descobrir e investigar experiências análogas alheias, a cultura do espírito crítico e a audácia de elaborar e apresentar ideias e análises próprias. Para tal, é essencial imbuir-se de humildade, não alimentar a ilusão de só produzir obras perfeitas e, ainda, estar-se preparado para o confronto com as críticas daqueles que discordam e têm opiniões diferentes. Estou em crer que este é o caminho certo da aprendizagem, do crescimento intelectual e da elevação das capacidades individuais, incluindo, o reforço da confiança pessoal.
Tem sido intenção do Instituto constituir-se em canal e espaço aberto ao debate e ao intercâmbio fecundo de opiniões, de projetos e de propostas e sugestões, sobre variados temas de interesse nacional mais actuais, provindos de diferentes horizontes. Com efeito, tem-se mantido no ideário do IPP, aliás realizado, o propósito declarado de afirmação enquanto espaço isento, inclusivo e aberto à diversidade de ideias e de projectos.
Entretanto, enquanto se preparava para o prosseguimento da caminhada, com sinais reconfortantes, irrompeu o acontecimento extraordinário que mexeu com tudo e todos e põe em causa os entendimentos conseguidos e os objectivos programados para 2020. Refiro-me à pandemia do novo coronavírus, cuja propagação extraordinariamente rápida e universal e consequências desastrosas em todos os domínios da vida das Nações estão a impor às entidades internacionais, aos Estados e às instituições públicas e privadas repensar, rever e reestruturar os projetos e programas. O IPP não escapará a esta coerção imperiosa de reestruturação e de superação dos efeitos restritivos derivados deste novo contexto mundial.
Se faço este desvio é para alertar que vamos entrar num tempo desconhecido e revolto e devemos estar cientes desta nova realidade, para nos prepararmos e para ela nos adequarmos. Somos chamados a descobrir os seus parâmetros e regras e a avaliar as restrições e os elevados riscos de regressão política, económica e social decorrentes.
É opinião generalizada de que, após o término, total ou parcial, desta pandemia, a que se juntou uma profunda crise sanitária, económica, financeira, social e cultural, de abrangência universal, nada permanecerá como dantes. A antevisão é que emergirá uma nova era: a era do pós-pandemia-coronavírus, com normas de funcionamento próprias, em todos os aspectos da vida humana. Alguns analistas admitem a possibilidade de mudanças significativas dos modelos de governação.
O nosso País não será uma exceção. Sofrerá efeitos idênticos ou mais graves de ordem sanitária, económica, financeira, social, cultural e ecológica. Assim, todos os actores políticos e sociais nacionais estão convocados a tomar consciência da nova realidade emergente, da sua grandeza e do seu alcance e das implicações políticas, económicas e sociais. Deve-se estar preparado a participar nos debates e nas controvérsias que se seguirão, pois, os conflitos sociais e a dimensão dos desafios ultrapassarão, certamente, as capacidades e os recursos materiais e anímicos dos poderes públicos.
Se suscito estas questões inquietantes é para tentar situar o papel e o lugar do IPP no diálogo nacional, em perspectiva, que auguro seja um debate amplo e inclusivo e de “repensamento” dos sustentáculos do nosso contrato de sociedade e do ideário de prosseguimento do processo longo e complexo, que têm sido a viabilização da sustentabilidade do futuro nacional, sólido e próspero.
Como lema da nossa participação, proporia: refletir, agir e viabilizar o futuro de progresso que nos espera.
Pedro Pires - Praia, Maio de 2020
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