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20 Dezembro 2021 | Vista 1498 vezes |

EDITORIAL: "ADEUS, 2021!"

É um ano a não se repetir! Entretanto, não representa o mal entre os males nem se deve considerá-lo como mero tempo perdido. Na vida não há tempo perdido: há tempo de aprendizagem e tempo de ganhar novas experiências e de adquirir novos saberes. Aprende-se sempre; ganha-se mais traquejo; fica-se mais habilitado a prosseguir a batalha, em melhores condições de a vencer.

Será assim, este 2021? Confio que se tenha aprendido, ganhado mais traquejo e saído mais bem habilitado e mais forte para continuar corajosamente a caminhada.

Começou sob a sombra da pandemia Covid19, com muitos momentos de tensão e de incerteza. Era necessário não se deixar dominar pelo medo e pela ansiedade, persistir e acreditar na nossa capacidade de resiliência e nos frutos do empenho em ganhar este repto que nos foi imposto pela natureza. Não foi fácil para ninguém. Vai continuar a não ser fácil. Pois, é sempre incómodo conviver com fantasmas invisíveis e sempre presentes. Gera receios e incertezas. Não se trata de uma guerra, mas os efeitos psicológicos são parecidos, em que não há certezas absolutas e se convive permanentemente com a incerteza. Subsiste sempre uma réstia de dúvida! Contudo, nos resta munir-nos de prudência e da habilidade para afugentar ao máximo os riscos que nos espreitam.

Em tais circunstâncias, impõe-se encarar a situação sem pânico, com realismo, precaução e confiança, aceitando que uma provável erradicação não é previsível para os próximos dias. Talvez, se esteja convocado a aprender a conviver, por mais algum tempo, com ameaças fracas deste vírus obstinado. Aceitar esses riscos não é uma atitude de resignação, pelo contrário, é uma atitude lúcida, realista e inteligente. De todo o modo, conseguiu-se, com uma política persistente, reduzir os riscos a uma expressão controlável. Já agora, tenho dúvidas em utilizar a expressão “insignificante”. Outrossim, para o nosso conforto espiritual, a nova variante não será pior que a variante anterior.

O meu maior receio era o risco de cansaço e de esgotamento dos trabalhadores da Saúde e daqueles que têm lidado no dia-a-dia com a doença. Parece-me que este risco está praticamente afastado, o que constitui uma garantia suplementar para todos nós. Todavia, considero de justiça prestar-lhes a homenagem merecida e manifestar-lhes a nossa permanente gratidão.

Do meu ponto de vista, a nossa sociedade tem andado desassossegada e inquieta, oscilando entre o medo, a ansiedade e o descaso, como se quisesse esconder a sua insegurança, aliás, normal em semelhantes circunstâncias. Não era para menos, pois, os impactos da crise e dos seus estragos foram e continuam sendo enormes e a sua recuperação vai levar bastante tempo. Porém, não é com o desespero, o descontrolo, a ansiedade e a impaciência que serão resolvidos, mas com programas públicos sólidos e acertados e, igualmente, com a mobilização, a responsabilização e o empenhamento da Nação inteira.

Foi um ano de duas eleições importantes, que exigiram muito dos eleitores e não trouxeram os danos previstos pelos mais negativistas. Curiosamente, fiquei com a impressão de que, após os resultados das eleições presidenciais, houve uma nítida redução da ansiedade e uma mudança geral de postura: as pessoas teriam ficado aliviadas, mais serenas e mais confiantes. Afinal, as pessoas estavam preocupadas com a Covid19 ou com os resultados das eleições?

De todo o modo, impende ao Presidente da República, ao Governo e às demais Autoridades o dever ético de tudo fazer para responder lealmente às esperanças e à confiança expressas pelos cabo-verdianos.

Pessoalmente, 2021 e a Covid19 não me vão deixar saudades: levaram-me um irmão e vários amigos, por quem tinha muita amizade e estima. Estas, sim, foram perdas irreparáveis!

Finalmente, desejo a todas e a todos os nossos leitores e concidadãos um 2022 pleno de energia, de saúde, de confiança e de vontade de vencer, a fim de podermos enfrentar juntos e juntos vencer os desafios que nos espreitam.

Nu djunta mon!

Pedro Pires

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