COM CONFIANÇA, VAMOS MUDAR E APRIMORAR-NOS!
O IPP tem um percurso de cerca de dez anos de vida. Não é muito tempo nem é pouco! É o suficiente para tirar ilações benéficas da caminhada feita, a fim de melhorar e consolidar o que de bom foi conseguido. Diz-se que a vida é uma escola. Este percurso, por seu lado, constitui uma valiosa aprendizagem, quer para os formandos, quer para os formadores ou para os seus gestores, que se deve avaliar com ponderação e espírito crítico, até porque o pensamento crítico tem sido um dos eixos da nossa ação formativa.
A origem do IPP fundou-se no propósito do seu fundador de aproveitar os recursos adicionais proporcionados pela Fundação Mo Ibrahim para criar uma instituição formativa diferente, que pudesse contribuir para a melhoria da qualidade da gestão pública e privada e proporcionar uma visão mais moderna do exercício e do papel da liderança. Foi-se buscar a inspiração em experiências anteriores, provadas durante a edificação do Estado soberano cabo-verdiano, persuadido de que nem tudo esteve 100% certo e, também, nem tudo esteve totalmente errado. Outrossim, considera-se que é recomendável aprender com as práticas próprias, sempre que possível, à laia de auto-superação, e evitar as transposições desajustadas de práticas ocorridas em contextos e conjunturas diferentes.
Na altura, o ambiente social no país indicava que era necessário que se procurasse quebrar as fronteiras, superar as clivagens políticas, por vezes fictícias, e criar um ambiente interno que estimulasse o diálogo e a convivência saudável e sem preconceitos entre os formandos, evitando as disputas estéreis e desnecessárias, centrando-se no essencial: o acesso ao conhecimento. Porquanto, o conhecimento e a tecnologia são agentes neutros. O uso que se faz deles é que pode transportar ou não uma intenção social ou política.
A iniciativa da fundação do IPP não foi bem uma iniciação e a exploração do desconhecido. Pois, todos nós, quando exercemos funções de liderança, aprendemos algo em matéria de formação ou da necessidade de formação adquirida durante a nossa vida profissional. Porque se está chamado, naturalmente, a alargar e a aperfeiçoar as capacidades e as competências, aprendendo durante a caminhada.
A nossa felicidade foi termos escolhido as melhores opções e as lideranças acertadas e, igualmente, encontrado um coordenador de formação competente e apaixonado pela nobre missão de ensinar e de formar, transmitindo aos formandos a mesma paixão pela aprendizagem, pela inovação e pelo aperfeiçoamento pessoal. Isto permitiu que o IPP ganhasse bastante em visibilidade e em prestígio.
Não resta dúvida de que o IPP, com a sua ação, ganhou credibilidade e prestígio dentro e fora do país, que tem exigido um esforço continuado para garantir a sua conservação e elevação.
A primeira aprendizagem ocorrida durante o desenvolvimento da formação foi a revelação dos seus custos elevados e das limitações existentes em obter recursos internos adicionais suficientes para sustentar a qualidade da formação que se queria oferecer. Não estávamos em condições de satisfazer todas as exigências das nossas ambições. Era preciso ser pragmático e adequar os programas aos recursos disponíveis, com limitações na duração e na abrangência das matérias, contudo, sem a perda da qualidade. Achávamo-nos chamados a acreditar, a inovar e a criar alternativas válidas.
O nosso ambiente social, laboral e gerencial não tem sido muito favorável ao investimento pessoal na formação contínua e na formação em exercício. A própria entidade empregadora não tem sido muito comprometida nem dado exemplo neste campo formativo. Será através da persistência e da prova palpável dos ganhos em melhoria da prestação e dos rendimentos dos “formados” que se conseguirá criar maior interesse pela formação em exercício.
Para a valorização da formação ministrada pelo IPP estabeleceram-se parcerias com uma universidade americana, que assegurou uma formação complementar realizada nas suas instalações e no “contexto americano”. Levamos ainda os nossos debates a Luanda, com grande impacto, fizemos formação em São Tomé e Príncipe e prestámos assessoria na Guiné-Bissau. Estas iniciativas inserem-se num esforço de internacionalização e de busca de espaços de prestação de serviços no estrangeiro, cujo desafio será garantir a sua previsibilidade, sustentabilidade e continuidade, com rentabilidade.
Na ideia de ultrapassar a nossa insularidade, do estabelecimento de pontes com os grandes debates mundiais e da diversificação de opiniões, participaram no nosso projeto “DIÁLOGO ESTRATÉGICO” conferencistas estrangeiros prestigiados, com o propósito de enriquecimento de ideias e de reflexões, permitindo um intercâmbio profícuo com os nossos analistas e fazedores de opinião. Na vida nem tudo corre de feição. Foi o que aconteceu com as perdas causadas pela pandemia que tem afligido o nosso país, durante estes últimos anos. O IPP foi obrigado a reorientar as atividades formativas e dar atenção à formação à distância, agindo de forma a que se mantivesse operante e os programas estabelecidos fossem cumpridos.
Por fim, como já era previsível, o IPP acaba de entrar numa conjuntura diferente, mais rigorosa, quando deixou de beneficiar do apoio anual da Fundação Mo Ibrahim, assegurado durante estes primeiros anos de funcionamento. Trata-se de uma mudança de fundo e torna-se urgente realizar as adaptações exigidas pela nova conjuntura, mantendo a instituição a funcionar, a crescer e a superar com sucesso os constrangimentos sobrevindos. Por sua vez, a sua Direção vem trabalhando com afinco neste sentido, propondo a ampliação do âmbito atual de intervenção e diligenciando a mobilização de novos parceiros e patrocinadores, tendo como pano de fundo o reforço da sua resiliência e a garantia da sua sustentabilidade funcional e financeira.
Com efeito, as instituições como o IPP são regularmente chamadas a mudar e a adaptar-se a novas conjunturas. Dizem os entendidos que não se deve ter medo da mudança porque se mudar é complicado, não-mudar significa perecer.
Então, vamos mudar e aprimorar-nos, com confiança!
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