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29 Junho 2023 | Vista 1190 vezes |

ATENTAMENTE, APRENDENTE!

Estamos em vésperas do 48º aniversário da independência nacional, caminhando para o seu próximo cinquentenário. Esta efeméride marcante da vida nacional oferece-nos a oportunidade de fazer uma introspecção e lançar um olhar retrospectivo e crítico sobre a nossa caminhada e as dificuldades e desafios por que temos passado. E, ainda, convoca-nos a refletir sobre os métodos de como influenciar e suscitar atitudes e rumos inovadores que permitam melhorar as decisões e as escolhas políticas e sociais, logo, facilitam a melhoria dos seus resultados.

Como sugere o código popular, a vida é uma grande escola em que se descobrem os contornos incógnitos da realidade e se aperfeiçoa o entendimento que se tem dela. No entanto, para tirar o maior proveito desta dádiva pedagógica oferecida pela vida, somos chamados a assumir com humildade e engenho a nossa condição de aprendente permanente, uma atitude sábia de quem tem a necessidade de aprender, todos os dias, a fim de construir as melhores saídas e soluções para os seus propósitos.

Por outro lado, as obras humanas não devem ser encaradas de uma forma dogmática, como factos acabados e imutáveis. Pelo contrário, deve-se encará-las como factos aperfeiçoáveis, condição que nos oferece a possibilidade feliz de melhorar o seu domínio e de aperfeiçoar a qualidade das decisões tomadas ou por tomar, enfim, uma oportunidade de corrigir os erros e as falhas de percurso.

Por sua vez, não se deve falsear a verdade, pois, ela é teimosa e perseverante, tarde ou cedo, impor-se-á sobre as suas versões falseadas. Assim, não valerá a pena escamoteá-la ou adulterá-la. É melhor apreendê-la, objetivamente, em toda a sua extensão e crueza, e explorar as medidas convenientes e oportunas que permitam contê-la e transformá-la, ao serviço da realização das metas pretendidas. A atitude acertada reside na coragem de enfrentar a realidade adversa com pragmatismo, inteligência e determinação.

O nosso pequeno país não tem sido fácil. Pelo contrário, continua complexo e difícil. A sua própria fundação sustentada na função de plataforma do comércio esclavagista, violento, sórdido e desumano, oferece-nos uma noção da natureza das aventuras e das peripécias por que o País e as suas sociedades subsequentes teriam que atravessar, mau grado, as vontades ou as resistências dos seus habitantes. Dessa sua condição geográfica, histórica e humana particular, decorre a imposição da inteligência, da perspicácia e da lucidez com que devem agir e comportar-se as suas lideranças, em exercício.

Pela sua fragilidade natural e pelas carências consequentes, a nossa Nação e o nosso País contam com a abnegação, o apoio e a solidariedade generosa dos seus filhos, requerendo que o destino nacional esteja colocado sempre acima dos destinos e das ambições e necessidades individuais. Em dissonância com esta ideia generosa, estarão aqueles, nacionais e estrangeiros, que acham que o essencial e prioritário é sacar de imediato o máximo das vantagens encontradas. Aliás, o mal maior dos poderosos e afortunados tem sido a sua atitude egoísta e imediatista de extrair, de antemão, o máximo de lucros, sem avaliar e se responsabilizar pelas consequências materiais e sociais das suas decisões e atitudes, enfim, sem se preocupar com a qualidade do futuro, que a todos pertence.

Para mudar esta forma insensata de estar e de se comportar impõe-se estimular no seio da sociedade mundial o espírito generoso da partilha, ou seja, da comparticipação dos benefícios e dos sacrifícios e da participação na elaboração das escolhas decisivas. Em resposta, perante o disfuncionamento do sistema-mundo e as desigualdades mundiais cada vez maiores, surgem propostas de se refletir em modelos alternativos de democracias participativas e cooperativas.

Nesta quadra comemorativa, o mais sábio seria que, também, fosse dedicada a um tempo de reflexão, de questionamento tranquilo e produtivo e de descoberta de respostas acertadas. Pois, perante a necessidade de enfrentar e de vencer os desafios, as carências e as dificuldades atuais, vale a pena parar um pouco e ponderar, coletiva e profundamente, em respostas profícuas apropriadas.

Julgo que seria mais sensato que se começasse por consolidar os feitos já conseguidos, a fim de evitar qualquer risco de retrocesso. Por outro lado, para vencer é preciso estar provido da vontade e da confiança indispensáveis. Toda a ação teria que ser perfilhada e suportada pela Nação e pelo Cidadão, associando a vontade e o empenhamento de ambos.

Para o sucesso deste esforço patriótico e ético, antevejo a necessidade do fortalecimento da vontade da Nação em continuar a lutar pelo progresso e pela equidade, o reforço da sua confiança nas capacidades nacionais, assim como, o asseguramento dos fatores políticos e sociais que garantam a geração desse clima favorável. Por outro lado, torna-se imperioso estimular o reforço da confiança recíproca entre os atores sociais, baseada em atitudes e políticas inclusivas que respeitem os direitos económicos, sociais e profissionais de cada cidadão, incluindo a garantia da igualdade de oportunidades e a eliminação das posturas excludentes de sanção a quem pensa diferentemente.

Por sua vez, a autossatisfação e a garantia de um ambiente são e motivador não se resumem em oferecer ou em receber um salário. Extravasam o campo material para se fundarem na valorização humana, no respeito da dignidade pessoal e na previsibilidade de relações humanas respeitosas e equitativas. Estimo que a força íntima é mais vigorosa e mais produtiva que o simples estímulo material. Estou ainda convencido de que, na nossa sociedade, o sentimento patriótico pode ser mais produtivo que o bom salário.

Para os Estados pequenos, frágeis e subdesenvolvidos, como o nosso, entendo que o seu lema de vida devia ser: solidários e cooperativos, somos mais fortes e mais produtivos! E, por fim, por razões óbvias, deve-se procurar apreender e aprender sabiamente com as lições, boas ou más, da história e da vida!

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