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25 Março 2024 | Vista 1776 vezes |

UM DESPERTAR PARA A SOLIDARIEDADE E AÇÃO COLECTIVA!

À medida que celebramos o mês de Março, dedicado à celebração das conquistas e à reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, é imperativo olharmos para além das fronteiras da nossa própria experiência e reconhecermos as lutas de mulheres muitas vezes esquecidas ou ignoradas.

Importa reconhecer plenamente os privilégios que muitas de nós desfrutamos em comparação com as nossas irmãs que enfrentam desigualdades sistémicas e violências diárias. Enquanto algumas de nós estão focadas nas nossas carreiras, educação e aspirações pessoais, outras estão a lutar para sobreviver à pobreza, à discriminação e à violência que permeiam as suas vidas diárias.

No entanto, é crucial admitir que muitas mulheres permanecem alienadas em relação à luta pelo empoderamento feminino e igualdade de género. Envoltas nas suas bolhas de privilégio, ou por pura desinformação, muitas ignoram ou minimizam as realidades cruéis enfrentadas por suas irmãs menos privilegiadas. Podemos estar imersas nas nossas rotinas diárias, focadas nos nossos próprios desafios e conquistas, sem reconhecer plenamente a extensão das injustiças que persistem ao nosso redor. Essa alienação é um reflexo da falta de consciência ou empatia para além dos nossos próprios círculos sociais, e é uma barreira que precisamos urgentemente superar para construir uma comunidade mais solidária e inclusiva.

Enquanto mulheres privilegiadas, temos o dever moral de não apenas reconhecer o nosso próprio privilégio, mas também de usar essa posição para amplificar as vozes daquelas que são marginalizadas e oprimidas. Devemos confrontar as nossas próprias noções preconcebidas e desafiar ativamente as estruturas de poder que perpetuam a desigualdade. É importante reconhecer que, mesmo sendo privilegiadas, continuamos a ser desprivilegiadas pela desigualdade de direitos e oportunidades que persiste entre mulheres e homens. A solidariedade entre mulheres de todas as origens é essencial para avançarmos em direção a um mundo onde as mulheres possam desfrutar plenamente dos seus direitos e oportunidades.

Portanto, é hora de sair das nossas zonas de conforto, reconhecer as realidades diversas dentro da nossa própria comunidade e agir em solidariedade com as mulheres que enfrentam as maiores injustiças. Apenas através da união e do compromisso comum com a justiça social e a igualdade de género podemos verdadeiramente alcançar uma mudança significativa e duradoura em Cabo Verde e além.

O feminismo oferece uma oportunidade poderosa para ultrapassar essa alienação, não apenas para as mulheres, mas também para os homens. Obviamente que o movimento feminista não se limita às mulheres que lutam pelos seus direitos. Engloba os homens que reconhecem e apoiam essas lutas. Por mais que este facto já tenha sido dito e repetido, continua a ser importante reafirmá-lo! Ao desafiar normas de género prejudiciais e ao trabalhar para criar um mundo mais justo e igualitário para todas as pessoas, independentemente do género, homens e mulheres beneficiam de uma sociedade mais inclusiva, mais equitativa e mais próspera. Portanto, há também um fator económico adjacente à promoção da igualdade de género que convém não descurar.

A educação e a formação desempenham um papel fundamental neste processo. Ao educarmo-nos sobre as experiências das mulheres menos privilegiadas e ao envolvermo-nos em conversas francas e abertas sobre questões de género, podemos transcender o cinismo muitas vezes subjacente ao posicionamento alienado e perceber o manancial de vantagens que advêm de uma postura consciente e solidária. Através da sensibilização e do conhecimento, podemos desenvolver empatia e compreensão pelas lutas enfrentadas por diferentes mulheres, ampliando assim a nossa visão e contribuindo para uma maior solidariedade entre os géneros.

É essencial que homens e mulheres se envolvam ativamente na promoção da igualdade de género, reconhecendo que todos têm um papel a desempenhar na construção de um futuro mais justo, mais igualitário ... e mais lucrativo! Os homens desempenham um papel crucial como aliados na luta pelo empoderamento das mulheres, desafiando o sexismo e apoiando ativamente as causas feministas. Juntos, podemos criar um movimento forte e inclusivo, capaz de promover mudanças significativas na sociedade.

Por outro lado, é importante reconhecer que essa alienação não só perpetua as desigualdades existentes, mas oferece "munição" aos anti-feministas que procuram desacreditar o movimento feminista como um todo. Ao ignorar ou minimizar as lutas de mulheres menos privilegiadas, contribuímos para desacreditar o movimento feminista e damos espaço para aqueles que buscam manter o status quo. É fundamental reconhecermos e enfrentarmos essa realidade.

Este é o momento de despertar para a solidariedade e ação coletiva. A luta das mulheres é interseccional, transcende as fronteiras de classe, raça, etnia e estatuto socioeconómico. Devemos unir-nos em solidariedade com todas as mulheres, amplificar as suas vozes e trabalhar juntas para criar um futuro mais justo e igualitário para todas.

Não é necessário que todas tenhamos a mesma opinião sobre as lutas das mulheres, mas é fundamental que estejamos todas (e todos!) conscientes do seu significado e importância para o nosso avanço enquanto civilização.

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Djalita Fialho, Administradora Executiva do IPP

Indira Pires, Diretora Executiva do IPP

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