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20 Dezembro 2024 | Vista 643 vezes |

EDITORIAL: “DILEMAS E ESPERANÇAS PARA 2025"

Este é o último editorial da Newsletter do IPP referente ao ano de 2024. Coincide com o final deste ano e com o anúncio da alvorada do próximo ano.

O ano de 2024 revestiu-se, entre nós, de um simbolismo particular, seja para a história da nossa luta de libertação nacional, seja para a memória patriótica de várias gerações de cabo-verdianos e de bissau-guineenses. Foi, substancialmente, dedicado à celebração do centenário do nascimento do nosso Líder e Herói, Amílcar Lopes Cabral. Além disso, esta celebração, pela sua relevância, foi integrada entre os aniversários de personalidades históricas destacadas, com patrocínio da UNESCO.

O IPP associou-se de diversas formas às celebrações realizadas. Foi um parceiro e colaborador relevante da Fundação Amílcar Cabral.

As celebrações do centenário de Amílcar Cabral tiveram uma expressão vasta e diversificada. Foram apropriadas e enaltecidas em diferentes países e comunidades, assumidas por numerosas personalidades e instituições universitárias, de ensino superior e secundário, de animação cívico-cultural, de investigação política, histórica e cultural e de divulgação de ideias políticas criativas e fundadoras. Entendemos que o nosso país e as suas instituições intelectuais e sociais ficaram mais prestigiadas com a qualidade das comemorações realizadas, localmente, e pela ampla participação internacional.

Essas celebrações contribuíram para o crescimento e o reforço do interesse geral pela personalidade excecional de Amílcar Cabral, pela sua obra, pelo seu pensamento criador e pelo seu valioso legado político, cultural e ético. Dados recolhidos recentemente atestam que as teses e as dissertações universitárias sobre a sua obra, o seu pensamento e legado político, cultural e ético já ultrapassaram as três centenas. O site “Academia.edu/Amilcar Cabral political thought” identificou, até esta altura, 4.944 trabalhos científicos (“papers”) referentes ao seu pensamento político.

A singularidade da sua personalidade justifica a que pertença a um rol limitado de personalidades históricas que exerceram um papel insubstituível e determinante na conformação do destino dos respetivos países e povos e, por vezes, do próprio destino da humanidade. Obviamente, se por acaso, essas personalidades históricas não tivessem vivido e intervindo, os seus países e povos teriam certamente destinos muito diferentes.

O IPP manteve, em 2024, a sua atividade corrente, da qual se pode relevar a realização do XI Diálogo Estratégico, centrado na homenagem e no diálogo com o seu Presidente, por ocasião do seu nonagésimo aniversário. São de se destacar a conclusão e a apresentação da Plataforma do Arquivo Presidencial do IPP e as parcerias realizadas com a Fundação Amílcar Cabral, durante o percurso da celebração do Centenário de Amílcar Cabral, e, recentemente, com a Presidência da República por ocasião da comemoração do cinquentenário do Acordo de Lisboa, negociado sob a liderança do Presidente do IPP, que veio assegurar o caminho livre ao acesso do nosso País à soberania e à independência nacional, assim como, ao progresso económico e social.

Perspectivando as atividades previstas para o ano de 2025, serão temas de reflexão e de debate o processo de viabilização do projeto improvável que foram a fundação e a construção do Estado soberano de Cabo Verde. Em igual perspetiva, a realização do XII Diálogo Estratégico estará orientada para a perscrutação do futuro nacional e para a avaliação da sua próxima configuração.

Clamam pela nossa atenção e pela nossa ponderação, os tempos complexos, críticos e assustadores, que estão a marcar a atual conjuntura mundial. Pois, não teria sentido e utilidade a concentração da nossa atenção e preocupação, exclusivamente, em nós-mesmos, na nossa auto-satisfação ou na sobrestimação e elogio dos nossos feitos bem-sucedidos, quer passados, quer recentes. Precisamos de emancipar-nos e de consagrar uma visão lúcida, crítica e abrangente aos acontecimentos mundiais, observar atentamente esses acontecimentos e questionar o mundo, a humanidade, que nos envolve. A prudência e a verdade imparcial recomendam-nos a não acolher ligeira e acriticamente as propostas e as narrativas dos outros.

Com efeito, a crise geral que o mundo atravessa é muitíssimo grave. O espectro de uma provável catástrofe alerta-nos e chama a nossa atenção: a própria ONU, que outrora tinha um papel regulador importante, é desrespeitada e está mergulhada numa crise profunda de eficácia e condenada à inoperância. Por outro lado, verifica-se uma degradação dos valores humanistas que, outrora, tiveram um importante papel de moderação e de contenção do sectarismo, da barbárie e da violência. Diria que se está perante uma crise de civilização, quando a violência cega e imponderada nos poderá conduzir a mais conflitos armados evitáveis e à situação trágica da prevalência da barbaridade tresloucada sobre a lucidez magnânima da civilização humana. Os homens e mulheres de boa vontade devem pôr-se de alerta!

Por fim, o que desejaríamos para o ano vindouro de 2025? Responderia nestes termos: um Ano de Paz, de Sabedoria, de Lucidez, de Altruísmo, de Tolerância e de Amor e Respeito pelo Outro, nosso companheiro inseparável da vida comum e da viagem universal!

Pedro Pires, Presidente do IPP

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