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31 Março 2025 | Vista 673 vezes |

EDITORIAL: “50 ANOS, 50% DE IGUALDADE POR CONQUISTAR!"

O mês de Março continua a interpelar-nos: até quando a igualdade de género será uma conquista por completar? Constatamos que a paridade plena – essa meta civilizacional – permanece um dever inacabado, exigindo de nós renovado vigor e estratégias adaptadas aos novos tempos.

Cabo Verde destaca-se na África de língua portuguesa pelos seus marcos legislativos, mas os números frios escondem realidades persistentes. A representação das mulheres em cargos de poder em Cabo Verde ainda está longe da paridade. Nas autarquias, a disparidade é gritante nos cargos de maior liderança: apenas uma mulher ocupa a presidência de uma Câmara Municipal (4,5%), contra 95,5% de homens. De acordo com dados de 2021, no poder executivo, a desigualdade mantém-se: apenas 27,8% dos ministros eram mulheres. Já no setor privado, os dados do VI Recenseamento Empresarial (2022) mostram que 71,3% das empresas são lideradas por homens, reforçando a dominância masculina nas esferas decisórias.

A nível financeiro, embora 51,2% das mulheres afirmem controlar o seu próprio rendimento, a desigualdade económica persiste: em 66,7% dos casos, os homens ganham mais do que as suas parceiras, enquanto apenas 19,4% das mulheres têm rendimentos superiores.

Estes dados revelam que, para lá das leis, subsistem barreiras invisíveis – aquelas que, no nosso editorial de Março de 2023, o Patrono do IPP diagnosticou como "hábitos obsoletos e perniciosos herdados desse passado-presente". Três eixos críticos exigem ação imediata:

  • Acelerar a mudança geracional
A juventude cabo-verdiana demonstra maior sensibilidade à igualdade, mas carece de modelos. Urge criar programas de mentoria que liguem as pioneiras das conquistas femininas às novas gerações de líderes.

  • Combater a fadiga da paridade
Alguns começam a questionar: "Não teremos já feito o suficiente?" Esta narrativa perigosa ignora que direitos conquistados podem ser direitos perdidos. Devemos estar atentos e documentar sistematicamente casos de retrocesso noutras latitudes como alerta.

  • Reinventar as alianças
A verdadeira paridade exige o envolvimento dos homens – não como concedentes, mas como parceiros. O ano de 2025 traz consigo um simbolismo especial: celebramos meio século de independência nacional. Que melhor forma de honrar este marco do que redobrando o compromisso com a independência plena das mulheres cabo-verdianas? Conforme o Patrono do IPP procurou destacar no editorial que assinou em Março de 2023, as revoluções culturais, pela sua complexidade, medem-se em décadas. Quer nos parecer que estamos precisamente a meio do caminho.

Ao IPP cabe agora uma missão dupla: ser farol que ilumina os obstáculos remanescentes e oficina que forja as ferramentas para os ultrapassar. Que este Março nos encontre não a comemorar conquistas passadas, mas a pactuar novas metas para 2030 – porque a igualdade não admite pausas.

A Equipa do IPP

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