ARTIGOS
Artigos do IPP
26 Março 2026 | Vista 680 vezes |

EDITORIAL: “A ENORME FELICIDADE DE PENSAR"

Estamos passando por tempos de tormentas e de enormes incertezas. O meu desejo íntimo de momento é que se cessem as guerras e se nos dêem a oportunidade de apreender melhor essa situação trágica e de poder enxergar os caminhos que nos poderão conduzir a uma condição diferente, de paz, de prosperidade e de felicidade para todos Nós. Como as coisas se acham, estamos perdendo o necessário, isto é, estamos afastando as condições da paz espiritual e do discernimento mental, indispensáveis ao domínio e à compreensão da dimensão e da complexidade dessa conjuntura mundial, pejada em riscos, em contradições e conflitos, e premissas de uma guerra mais cruel, mais vasta e mais devastadora.

Ao avaliar as condições dramáticas de crianças, de raparigas e de rapazes, de mulheres e de homens, também, habitantes iguais do nosso planeta, que estão sofrendo as consequências horrorosas de bombardeamentos indiscriminados, sinto saudade do sossego, da paz, da amizade e da convivência pacífica e cooperativa entre Nós, os humanos. A par dessas necessidades inquietantes e inadiáveis, experimento outro sentimento raro e contraditório, a felicidade íntima de poder, daqui, do nosso Cabo Verde em paz, pensar na infelicidade imensa que recai sobre milhões de pessoas inocentes, causada por guerras provocadas e alimentadas pela insanidade mental e pela estupidez de outros homens, porém, poderosos, e incorporar nessa preocupação a busca de meios e de caminhos possíveis de levar à solução desta tragédia humana.

Há cerca de dois anos, tinha tido um sentimento idêntico. Estava internado no Hospital Dr. Agostinho Neto para o tratamento de uma fratura no fémur direito. Tinha coincidido com a intensificação dos bombardeamentos aéreos cruéis de Gaza, na Palestina, deixando milhares de feridos e mutilados e centenas de mortos. Concomitante à intensa dor que me afligia, invadiu-me a felicidade incomum de poder gozar de condições de segurança e de tratamento oferecidas pela paz reinante no meu país, comparadas com as desgraças de mortes, de ferimentos e de mutilações físicas e psicológicas, enfim, pela enorme infelicidade por que estavam passando os gazis. Com efeito, é uma felicidade incalculável poder viver e poder pensar em confiança e em segurança.

Constitui outra felicidade saudável e compensadora, de que as cabo-verdianas e cabo-verdianos se beneficiam, de poderem comemorar, hoje e dignamente, o Dia da Mulher Cabo-Verdiana, às quais saúdo com respeito e muito carinho, em paz, em confiança e em segurança.

Insistimos de que é de elementar justiça reclamar o usufruto da felicidade de existir e de pensar, para todos que dela se encontram violentamente privados. Por isso, não podemos aceitar que nos privem da enorme felicidade de pensar!

Pedro Pires | Patrono do IPP | Março de 2026

Menu Top